Receba as atualizações!

Inscreva-se para receber todas as atualizações no seu e-mail!

membros

Arquivo do blog

Contra repressão!

Mostrando postagens com marcador Informes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Informes. Mostrar todas as postagens

NOTA A RESPEITO DE MINHA SAÍDA DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA ABEF


NOTA A RESPEITO DE MINHA SAÍDA DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA ABEF



Caros Coordenadores da gestão da ABEF, assim como estudantes de filosofia e demais ativistas e militantes das demais organizações que, de algum modo, tiveram contato com esta entidade, venho por meio desta “nota”, comunicar meu afastamento, ou melhor, minha saída dessa gestão da Coordenação Nacional da ABEF.

Procurarei ser breve, mas as explicações necessárias me levam a que eu não seja tão breve. Me afasto, ou melhor, saio de uma entidade nacional cujo papel é organizar (em primeiro lugar) e representar (como consequência, a meu ver) os estudantes de filosofia. As motivações são desde as mais “pessoais” e “privadas”, até as mais profundas, isto é, políticas. E sendo uma motivação política, por excelência, que é o motivo fundamental da minha saída, me deterei nela.

O COBREFIL 2012 em Pelotas e a “criação” da atual gestão


O Congresso ocorrido em Pelotas, ao qual possuiu muito mais um caráter acadêmico que político e que um debate acerca do Estatuto ocorreu apesar do calendário de atividades, e não havendo tempo, antes da PNEB, para se estruturar um debate acerca desse ponto, foram as “condições concretas” em que foi eleita a nova Coordenação Nacional.

Na Plenária Nacional de Entidades de Base, PNEB e na Assembleia do Congresso (COBREFIL 2012), muito tempo foi utilizado para decisões de caráter mais geral, o que é natural. Essas discussões se materializaram nas decisões votadas e transformadas em deliberações congressuais. Contudo, não houve espaço profícuo para a discussão profunda de aspectos mais profundos, como os porquês dos problemas profundos da entidade nacional, sua relação com as regionais.

Eu havia formulado cerca de uma página com um texto que era breve análise, fazendo alguns apontamentos gerais que dariam um norte político para uma provável gestão a ser eleita. Contudo, na ausência de uma discussão, e diante da “necessidade de ter uma Coordenação Nacional”, eu e outros delegados decidiram entrar na gestão, sem uma discussão mais profunda. Isto é, pessoas com posições das mais variadas, e expressando interesses antagônicos, mas ainda imersos, entravam para ser a direção da entidade pelo período de um ano.

Após a decisão da próxima Coordenação Nacional, diante de debates de mais de 14 horas, os membros da atual CN fizeram uma reunião, que temos a ata, e percebe-se que decidíamos o que era possível decidir no momento: questões técnicas e organizativas. Ou seja, um começo que tem sua forma de um modo equivocada não se “ajeita” sem grandes esforços. Essa é a nossa sina, sina da atual gestão.

O início da gestão até o ENEFIL: os primeiros seis meses de “atuação”


De imediato, é necessário reconhecer que não fizemos um bom trabalho nos primeiros seis meses que estivemos na gestão. Contudo, toda crítica deve ser acompanhada pelo entendimento profundo das causas, motivos, circunstâncias; em suma, das condições concretas em que os erros ocorreram. Realizávamos reuniões virtuais onde a maioria da gestão participava, e tentamos uma organização por seção (agitação e propaganda, finanças, jurídica) e penso que a falta de afinidade política, a falta de objetivo e uma estratégia nos podaram. Uma gestão há de ter um programa político de gestão para se colocar como a direção da entidade em causa. E o programa se faz real, prático, com uma estratégia geral e as táticas pontuais e particulares que se manifestam no dia a dia da vida acadêmica e política (no caso, dos estudantes de filosofia).

Tiramos encaminhamentos, mas que na maioria dos casos, não avançaram significativamente. E os nossos planos, que foram “sumindo” com o passar dos meses e as reuniões deixando de ocorrer, ou com a tentativa de democratizar demais as decisões, se tornaram obstáculos a nós, criados por nós próprios.

Para tornar claro, a questão do “democratizar”, é importante salientar que nós ficávamos emperrados por discutir cada aspecto, cada ponto, e muitas vezes temíamos a decisão por maioria, buscando o caminho do consenso, fazendo com que muitas coisas não avançassem, não fossem encaminhadas.

Após passarmos o período de férias de final de ano sem conseguirmos nos reunir (pela internet), chegamos, pois, ao ENEFIL, e fomos duramente criticados por um setor dos estudantes (e corretamente criticados), agora outro setor aproveitou isso para tentar criar uma ruptura com essa entidade, procurando boicotar a PNEB, entre outras ações que só enfraquecem a unidade na construção da entidade, à base de duras críticas, mas com um caminho organicamente unitário – o único caminho em que a crítica faz fortalecer o que se critica.

Minha posição do Enefil em diante e o desgaste subsequente


Fui totalmente claro em reunião dos membros da CN presente no Enefil 2012 que deveríamos criar um blog para efetivar nossa comunicação e articulação com os estudantes, que deveríamos trabalhar para um Cobrefil altamente politizado, para aí sim criar as bases para uma gestão que pudesse fazer o que nós almejávamos, mas não conseguiríamos fazer. Muitos discordavam de mim, e achavam que deveríamos fazer diversas atividades, mas sem um elo entre essas atividades; e portanto, sem um objetivo mais preciso, sem um devir, sem pensar em como tais ou quais atividades poderiam ser “elos da corrente”, e para onde queríamos que essa corrente fosse.

Contudo, isso não significava abandonar tarefas, mas muito mais pensar politicamente as tarefas as quais deveríamos nos dedicar em tal momento. Somado a isso, a maioria dos presentes em reunião, aproveitaram para decidir, não por unanimidade, mas pela maioria da gestão presente, que não faríamos mais reuniões virtuais e que tudo seria decidido por posts no facebook, no grupo da gestão. Essa era a brilhante deliberação ao qual a gestão foi destinada. Minha divergência era e é clara, na qual eu falei e continuo falando que é uma cegueira, na medida em que não se combinava formas de decisões. Erro parecido quando decidiram não termos blog, mas apenas um site no facebook. Após as críticas da PNEB, consegui que revêssemos esse ponto, e decidimos por ter um BLOG, ao qual fiquei encarregado e publicando (mesmo assumindo que ele vem “tarde”).

Do ENEFIL ao COBREFIL: a gestão em crise


Pouca coisa, de prático se fez após isso. Contudo, a desintegração real, não necessariamente aparente (a todos) se impôs. Algumas ações ficaram emperradas, e a convivência respeitosa, em alguns momentos, era coisa que não se via. Somando-se a toda a situação, a única coisa que importava era “e o COBREFIL”, como e quando seria tal evento – entrando em antagonismo com o que acordamos na eleição da gestão, “que a CN-ABEF não deveria existir apenas para tocar o ENEFIL e o COBREFIL”.

Claro que o COBREFIL precisava (e precisa) ser pensado, mas nada mais era pensado e avançado. Estagnação total! E isso na situação onde estava pendente a publicação do Estatuto com as modificações das resoluções congressuais, e ainda está pendente as atas e resoluções congressuais, assim como a ata do PNEB do Enefil e o Edital do Cobrefil aprovado na mesma PNEB referida acima. Isto é, tínhamos trabalhado, temos trabalho acumulado, e cruzar os braços e falar grosso, muitas vezes de forma desrespeitosa não contribui, muito mais o contrário. Se como gestão tivessem tocado as outras pendências, problemas seriam bem melhor encaminhados e melhor resolvidos – inclusive o problema do Cobrefil não conseguir ocorrer em SP como prevíamos.

Essa letargia não é apenas uma sucessão de acontecimentos, como causas sucessivas, penso eu. Seriam, muito mais, fenômenos de um problema profundo. Vamos a eles.

A trágica Servidão Voluntária


Penso que o principal problema é exatamente esse, oriundo de uma gestão formada como se formou e relatada aqui (muito brevemente!). Muitas vezes a gestão padecia por falta de orientação, ou sua orientação era ziguezagueante. E, ao invés dos membros executarem o que eles criticavam, seu foco era fazer a crítica numerosa aos membros que se propunha fazer, orientar, apontar, e redigir documentos. Sendo eu um dos membros mais ativos nesses pontos (que evidentemente, e por uma ironia trágica, são questões internas e que não se expressam tão publicamente para o conjunto dos estudantes de filosofia, justamente por esse modus operandi da gestão).

Claro que uma gestão deve atuar praticamente, mas existem práticas e práticas, e ainda mais como estudantes de filosofia, devemos pensar que práticas queremos realizar e qual seu devir. Qual é o projeto ou programa que temos, e que estratégia temos em nossas mãos? Perguntem isso aos membros da gestão que eles não serão capazes de responder. Sabe por quê? Porque cada um tem uma ideia disso, uns de forma mais clara, outros menos, e essa gestão não expressa o acordo comum de uma política para determinada gestão, para serem um direção para os estudantes de filosofia.

Minha saída da CN-ABEF, ainda que tardia


Devido às divergências aqui brevemente expressadas, e diante de problemas estruturais dessa gestão, não há sentido de minha permanência na Coordenação Nacional. Ficar nela, nas atuais condições é encobrir, é sustentar no nível da aparência, impossibilidade de caminhar corretamente a superação de tais problemas. Esses só podem vir de uma conjuntura política que leve os estudantes a se elevarem politicamente para fortalecer suas entidades como verdadeiras ferramentas para a luta e sua organização, combinado com uma sóbria discussão com divergências, mas sem infantilismos, de como criar as condições para uma “outra conjuntura” – que não se fará pela nossa vontade, mas nós devemos olhar para ela, e prepararmo-nos para ela.

Somente um COBREFIL devidamente estruturado para este fim, rompendo com a “herança maldita” do academicismo que impere em nossos Encontros e (até!) Congressos, e pondo na ordem do dia as nossas próprias dificuldades em Grupos de Discussões e Plenárias e Assembleias, para fortalecer a entidade nacional dos estudantes de Filosofia. Me manifesto que farei declarações nos eventos que forem necessários, mas vejo como grande perda de tempo comparecer no próximo Cobrefil se sua estrutura ainda estiver atrelada ao academicismo imperante. Mesmo que o discurso seja que “desse modo a Universidade autorize o evento”. Ora, independência política existe um preço.

Qual nosso interesse? Realizar o COBREFIL a qualquer custo? Para que? Para realizar o que? Uma viagem a mais no “curriculum lates” da social de estudantes ou para empreender uma verdadeira discussão política propositiva?

E cabe ainda, refletirmo-nos sobre o porque da existência de Executiva de Cursos. Ora, basta estudarmos a história das mesmas para sabermos que ela tem existência no Brasil após a UNE ser posta, durante a ditadura militar, na clandestinidade, sendo “uma via”, criar Executivas de Curso, que sob o véu de um “caráter acadêmico”, poderia fazer parte do trabalho político que a UNE fez na ditadura militar – penso eu, único momento que a UNE teve um papel revolucionário, correto, político em sentido de luta e não em sentido oportunista – e que na nossa conjuntura política no país, em que medida nos cabe fortalecer executivas de curso, ainda que com a proposta de um FENEX; ou caberia muito mais uma luta profunda em uma unitária entidade estudantil que levasse a cabo toda discussão setorizada dos cursos ou áreas de cursos (a saber, Humanas, Exatas, Biológicas).

Não me refiro a que o caminho é ir para a UNE, ANEL, etc. Isso é vulgarizar uma reflexão. Ambas as entidades estão no lodo do oportunismo político, e afastadas de uma verdadeira organização política dos estudantes de um modo revolucionariamente correto – claro, cada uma a sua maneira. E também não sou partidário de se criar uma “nova entidade nacional” perfeitinha no papel, e “convidar” os estudantes a estarem nela, num “venha a nós, o vosso reino”. Mas que olhar atentamente para a conjuntura, e debate-la, deve por em questão a própria existências de Executivas de Curso e a questão das entidades nacionais e posicionarmo-nos quanto a isso – claro, isso se o horizonte for a de ter, de modo efetivo, uma grande organização estudantil para a luta.




Ass. Bruno Henrique de Souza Soares
ex-membro da atual coordenação nacional

NOTA DA COMISSÃO ORGANIZADORA DO COBREFIL 2013


NOTA DA COMISSÃO ORGANIZADORA DO COBREFIL 2013




Por meio deste documento, nós, da Comissão Organizadora (C.O.), do COBREFIL 2013, eleitos na  Assembleia Geral do COBREFIL em Pelotas-2012, e endossados na Plenária Nacional de Entidades de Base (PNEB) no Enefil 2013, na Paraíba, para realizar o Cobrefil 2013 na cidade de São Paulo, mais especificamente na Universidade Federal de São Paulo, campus Guarulhos e com o tema “AS ATUAIS DIFICULDADES DA ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDANTES DE FILOSOFIA, ENTIDADES DE BASE E ENTIDADE NACIONAL” necessitamos comunicar e tornar público a nossa impossibilidade de realizar o Congresso, como aprovado no Edital na PNEB acima referida.

Os motivos da impossibilidade são os seguintes:


a) Em parte há uma inexperiência de eventos de tal porte, a saber, um congresso de caráter essencialmente político, e a logística de um evento que abarca os estudantes de filosofia de todo o Brasil, e soma-se a isso a nossa vontade de fazer muito, visto a importância do Congresso. E há de se reconhecer, e de frisar, que nós não seremos o primeiro grupo de pessoas, nem o último, a enfrentar tais problemas. Ao menos, reconhecemo-los e diante da atual situação, posicionamo-nos para resolvê-lo da melhor forma que estiver ao nosso alcance. Outros COBREFIL ´s já houve mudança de C.O. e de localidade.


b) Outro elemento de grande importância é o atual momento do campus Guarulhos, da UNIFESP. O Diretor Acadêmico que estava no cargo foi derrubado pelo movimento político da greve do ano de 2012, e entrou-se num “governo de transição”, ao qual foi praticamente impossível conseguir espaços para realizar o Congresso.


c) Soma-se a isso a questão de que recentemente a instância de deliberação oficial dessa Universidade, sua Congregação de Campus, decidiu por transferir a Universidade para o centro de Guarulhos, tornando instável a própria previsão de onde o campus estará nos próximos meses; na medida em que se prevê iniciar obras de construção do prédio definitivo no campus Guarulhos, estando em reforma o local onde cogitávamos realizar o Congresso.


d) Outra dificuldade é a questão do período de aulas em sentido duplo: nós que sediaríamos o Congresso e a data de “férias” dos congressistas. Do ponto de vista das aulas na UNIFESP, campus
Guarulhos, as aulas estarão acontecendo no mês de julho. Devido à greve estudantil em 2012 que durou cerca de 6 meses, com 2 ocupações, resultando em um calendário de “reposição” muito ruim, fazendo com que nossas datas não possam coincidir com outras faculdades. Isso atrapalharia, e muito, a utilização de salas para realizar o Congresso.

e) Faz-se necessário ressaltar que em um ambiente de pós-greve, um consequente refluxo depois das lutas que se radicalizaram em 2012, e um calendário onde não permite que os estudantes “respirem” e possam se envolver em atividades políticas na universidade, a dificuldade de se construir uma Comissão Organizadora fica latente.



Por fim, ressaltamos que é necessário ter em vista na crítica (que é bem vinda, sobretudo quando ela aponta os rumos mais corretos a serem tomados) as dificuldades políticas que se encontram na organização dos estudantes, e que se soma a nossa conjuntura dentro das universidades. Assim, informamos sobre a nossa impossibilidade e destinando à Coordenação Nacional da ABEF que encaminhe, da melhor forma que ela achar conveniente e construtiva, a realização do Cobrefil 2013.


E estimamos que a C.O. que realize o COBREFIL tenha em vista o Edital aprovado na PNEB e que leve em conta o tema aprovado, visando construir um evento que seja menos acadêmico e seja mais político, que aponte o fortalecimento da organização dos estudantes de filosofia, visando que problemas técnicos possam, num futuro que estimamos não muito distante, sejam facilmente superados pela determinação política maior dos estudantes e seu engajamento e determinação superior que era, com toda a certeza, o pressuposto de construção do COBREFIL em São Paulo.


NOVO SITE DA COORDENAÇÃO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS ESTUDANTES DE FILOSOFIA

A CN-ABEF divulga a todos interessados seu novo blog, e seu novo email.


Devido a problemas técnicos e operacionais, que impossibilitaram o acesso ao blog e e-mail respectivo às gestões anteriores; e os problemas acarretados a um "buraco" na comunicação da gestão com os estudantes de filosofia, publicamos esse blog em novo site, assim como nosso novo e-mail, tendo em vista construir, ainda que limitadamente nesse momento, um instrumento importante para o fortalecimento da entidade nacional dos estudantes de filosofia no país.

nosso blog: http://abefilosofia.blogspot.com.br

nosso email: abef.coordenacaonacional@gmail.com





Nota da Coordenação Nacional da Associação Brasileira dos Estudantes de Filosofia, CN-ABEF, a respeito do NOVO BLOG

Nota da Coordenação Nacional da Associação Brasileira dos Estudantes de Filosofia, CN-ABEF, a respeito do NOVO BLOG

Bem brevemente, nós da gestão atual da Coordenação Nacional da ABEF, eleitos no Cobrefil-Pelotas e julho de 2012, com gestão por um ano, tivemos problemas técnicos para acessar o antigo email da Abef, assim como seu Blog. Na impossibilidade de se retomar as antigas ferramentas, criamos um novo e-mail: abef.coordenacaonacional@gmail.com e o novo blog: http://abefilosofia.blogspot.com.br/

Na Plenária Nacional de Entidades de Base, PNEB, no Enefil-Parahyba, em janeiro de 2013, os encontristas corretamente cobraram formas de comunicação mais eficazes por parte da CN-ABEF, ao qual assumimos essa responsabilidade e nos prontificamos a criar esse blog, superando o problema técnico mencionado.

Para que fique claro e evitemos incômodos desnecessários, o problema técnico se deu que a antiga gestão passou senhas para acessarmos o perfil da CN-ABEF na rede social facebook e senha de e-mail/blog. A senha do facebook estava logando, sem nenhum problema. Contudo, quanto ao email e ao blog, que são de mesmo login (usuário e senha), tentamos por muito tempo e não conseguimos meio de ter acesso a ela. Seja de onde tenha havido o problema de perder-se a senha para conseguir acesso, criamos novo e-mail e blog, esperando ampliar nosso contato com o conjunto dos estudantes de filosofia, procurando avançar em uma comunicação mais eficaz, em um diálogo mais efetivo e consequente.



Nota da ABEF sobre o I Encontro de Professores de Filosofia do Estado de São Paulo


Nota da ABEF sobre o I Encontro de Professores de Filosofia do Estado de São Paulo

Nos dias 6 e 7 do mês de dezembro de 2012 foi realizado o I Encontro de Professores do Estado de São Paulo, realizado no auditório Paulo Kobayashi, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo ALESP,
com o tema: A PRESENÇA NECESSÁRIA DA FILOSOFIA NA EDUCAÇÃO, contando com a presença de dezenas de professores e membros de sindicatos assim como o represetante legal da ABEF.

A entidade que promoveu o encontro é a recem criada APROFFESP, Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do Estado de São Paulo que tem por atuação a organização específica dos professores de filosofia do professarado paulista e paulistano, fundamentalmente.

No Encontro, debateu-se 2 aspectos centrais: a importância da filosofia na educação e a organização política da entidade. Do ponto de vista da importância da filosofia na discussão, realizaram-se discussões que permearam um histórico do ensino de filosofia na educação básica (fundamental e médio) e também o ensino universitário, os paradigmas da proposta curricular de filosofia e os aspectos pedagógicocurriculares
que levaram a que o conjunto dos professores se orientassem na defesa da autonomia dos que estão dia a dia na sala de aula e tem a tarefa de “lecionar” aulas de filosofia.

Do ponto de vista da organização política da entidade, diversos/as professores/as expressaram sua preocupação em que a entidade não seja um “paralelismo” do sindicato estadual do conjunto dos professores do Estado de São Paulo, APEOESP. Esse ponto citado acima é um aspecto crucial, na medida em que uma associação específica dos professores [no caso, professores de filosofia] se deparam com problemas gerais de todos professores (e mais gerais ainda, de todo a classe trabalhadora) e problemas específicos a respeito do “ensino de filosofia”. E na conjuntura onde a APEOESP, especialmente a direção
majoritária do sindicato nos últimos anos dominado pela CUT e pelos partidos PT e PCdoB, mas com a participação, através da oposição de partidos como PSOL, PSTU, POR, e outras organizações, engendra-se um perigo próprio da esquerda que indo na contramão da unidade sindical cria outros sindicatos (ou até outras centrais sindicais), de forma explícita ou encoberta, fragmentando ainda mais a luta e a organização da classe [ou no caso, a categoria dos professores; ou sendo ainda mais específico, o setor de professores de filosofia dentro da categoria do professorado paulista].

Tendo clareza que a direção atual da APROFFESP é constituída por membros do PSOL e uma influência do mesmo na política da direção dessa associação, esse receio ficou latente, e explícito. O que é importante para não se cometer equívocos. Do ponto de vista organizativo, a ABEF fez uma proposta que foi aclamada, e ganhando consonância com o conjunto dos presentes no Encontro, no sentido de realizar GT´s nas regiões para que os próprios professores possam formular uma contra-proposta curricular em oposição aos “famosos caderninhos do Estado”.

Outro encaminhamento deste Encontro foi a criação de uma Associação Nacional de Filosofia, englobando o conjunto dos estados e de professores, denominada APROFFIB Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do Brasil. Nela, foi solicitado a participação da ABEF com uma vaga na direção inicial, isto é, provisória até a realização do I Encontro de tal Associação. A posição do representante legal da ABEF era de que levaríamos isso ao nosso próximo Congresso para discutirmos isso e tomarmos uma posição quanto à participação ou não na entidade.


Bruno Henrique de Souza Soares
representante legal da Coordenação Nacional da ABEF

resolução política da CN-ABEF para o I Encontro da APROFFESP


resolução política da Coordenação Nacional (CN) da Associação Brasileira dos Estudantes de
Filosofia (ABEF) para o I Encontro da Associação de Professores de Filosofia e Filósofos do
Estado de São Paulo (APROFFESP)

“A filosofia e seu devir, a contingência da práxis e o nosso horizonte”

Como ponto de partida, nós da CN-ABEF, saudamos a iniciativa do grupo que encabeçou a criação da APROFFESP, que tem como pressuposto a necessidade de organização, ainda que em sentido estadual mas que já aponta em seus debates a necessidade de colocar no marco nacional também a organização dos professores de filosofia e filósofos, pautando, sobretudo, a filosofia, caracterizando a situação em que o pensamento filosófico se encontra, e nós, que somos, em grande escala, professores, devemos pensar na práxis entre unidade de teoria e prática, discurso e ação, forma e conteúdo.

Filosofia é somente contemplação?

Aqui cabe perguntar a tradição que tem como postulado rígido que a filosofia é somente contemplação. Ainda que a observação, evidentemente, é uma condição substancial do filósofo, tendo como expressão imagética o que Hegel compara a filosofia com a coruja de minerva, ao dizer que “a coruja de minerva alça seu vôo somente com o início do crepúsculo”. E uma certa tradição imperou considerando a filosofia como um pensamento que tem como princípio fundamental a contemplação e o afastamento da ação, da prática que não seja unicamente a contemplação.

Mas se tomarmos a própria figura da coruja, somos levados a pensar em que o crepúsculo é o linear do dia para a coruja, enquanto cessamos nossas obras e nos recolhemos em nossos lares, a coruja “alça seu vôo”, a trabalho. É a noite que a fascina, por isso seu nome em latim: noctua, ave da noite. Não é a beleza seu destaque, mas é a capacidade de ver o que as aves diurnas não conseguem ver. Seu pescoço gira 360%, dando-lhe uma visão completa capacitando ver o todo. É também uma ave de rapina, rápida na escolha, e que por ver a presa e não ser vista, sempre tem sucesso na caça, apanhando os despreparados e desprovidos que se arriscam na noite escura.

Inclusive vale apontar que um dos grandes nomes da filosofia, Platão que desenvolveu suas idéias ou
dizendo melhor, desenvolvendo as idéias dos personagens acerca da “cidade justa” no diálogo República, segundo diversos relatos, teve oportunidade de tentar por em prática tais fundamentos filosóficos, sendo preso e sendo resgatado por filósofos que pagaram sua libertação, e tendo como “readequação” dos pensamentos, expressos nos personagens no diálogo “Leis”, onde, ao invés do filósofo-rei governar as cidades, esta deveria ser governada por “conselhos noturnos”, eleitos na ágora das pólis.

Esta breve ilustração nos mostra que, ainda que a filosofia deva ser observação e contemplação, a tradição que a limita a isso, desenvolve em vários graus e em diversos âmbitos a separação das idéias do mundo, a forma e seu conteúdo, o discurso e a ação, a teoria e a prática. Em síntese: ceifa a síntese bela e poética da imagem da coruja, descrita acima.

A contingência da práxis

Segundo Jean Paul Sartre no texto Marxismo e Existencialismo, dentro da obra “Questões de Método, diz: a Filosofia não existe; sob qualquer forma que a consideremos, esta sombra da ciência, esta eminência parda da humanidade não passa de uma abstração hipostasiada. De fato, o que há são filosofias. Ou melhor – pois não encontrareis nunca, em um momento dado, mais do que uma que seja viva – em certas circunstâncias bem definidas, uma filosofia se constitui para dar expressão ao movimento geral da sociedade; e, enquanto vive, é ela que serve de meio cultural aos contemporâneos.

Essa visão tem seu interesse, sobretudo por entendermos as filosofias como representações situados no tempo-espaço, em seu ponto histórico. E podemos ver que em pontos cruciais, ou para dialogar com a mitologia grega, Kairós, que significa o tempo não humano,não-linear, tempo enquanto momento oportuno, em potencial, podemos ver determinada contingência onde o sujeito da filosofia, a filósofa/o filósofo não é um mero espectador, mas tem a sua filosofia como práxis, com todos os seus limites, apontando na teoria e na prática, “a coruja que enxerga em 360 graus, e que também sabe rapidamente ir atrás da caça”.

Essa nossa concepção vai diametralmente oposta à tradição ampla que tem como consequência mais recente (e também trágica) na abordagem feita pela historiadora da filosofia, Olgária Matos, também
idealizadora do projeto “pósfrankfurtiano” da EFLCH/UNIFESP-Guarulhos no programa Provocações de Abujamrra, quando esta diz que “a filosofia jamais será atuante”, entre outras aberrações proferidas por esta que formulou o projeto pedagógico da universidade que, ao menos na cidade de Guarulhos, está “formando” grande números de professores que estão indo às escolas preencher as lacunas da falta de
professores no Estado, sobretudo.

Visto isso, penso que nossa alvorada é justamente pensar (e criar) as condições de possibilidade de harmonizar o caráter reflexivo e atuante da filosofia e de seus sujeitos e protagonistas. Ousaríamos dizer que esse deve ser o fio condutor de uma programa político expressão tão cara para os filósofos de hoje. O que resulta que seu incomodo é de limpar a sujeira que virou uma crosta grossa e pesada por trás do pensamento filosofico mais genuino e autentico, e que o incômodo parece ser um sinal do acerto.

Filosofia e História da Filosofia

Pensamos que essa temática, esse conflito, hoje ganha expressão aguda, quase traumática no debate entre filósofos, ou aspirantes a esse nome. A intensificação da ruptura é escancarada nas Academias, Escolas e Universidades, onde passase pelos grandes nomes da Filosofia em História da Filosofia Antiga, Medieval, Moderna e Contemporânea, que produziram um pensamento sobre as questões do seu tempo, e nós próprios, não realizamos o que esses autores fizeram em suas épocas. E acrescentase
contornos “interessantes” pela particularidade de nosso país, o Brasil, ao considerar sua formação histórica, e sua constituição cultural e intelectual.

Com isso, não queremos levar os presentes a serem levados a pensarem que nós queremos refutar, de forma absoluta, o estudo de autores-obras da História da Filosofia, mas isso tem um limite, e que é preciso superar esse limite. Relação análoga ocorre com a leitura estrutural que tem validade até certo ponto e quanto a determinados autores, mas que impede de alçar vôos mais altos, mais largos e mais profundos.

Tendo isso em vista, que entramos no curso de filosofia, e nos tornamos historiadores, ainda que seja a história da filosofia, que realizamos como estudantes/estudiosos e como professores?

Filosofia e Ensino

Amplos autores dentro da História da Filosofia tiveram como escopo de trabalho para suas reflexões o espaço da sala de aula; muitos foram professores de Escolas, Academias e Universidades. Mas nem todos. Outros ligados à Igreja e suas instituições seculares. Outros, à margem, realizavam um produto filosófico alheio às instituições.

Ainda que muito deva ser debatida a respeito disso, pensamos que o que se chama por “filosofia no ensino médio”, “didática da filosofia”, “a questão de licenciatura da filosofia”, parece-nos que o problema da licenciatura é, já,o problema da própria filosofia, pelo que expusemos até aqui e pelo debate que faremos.
O problema da licenciatura/ensino de filosofia não é um âmbito do problema, mas uma expressão que mostra a “ponta do iceberg” em que a filosofia se situa, em seu sentido histórico, de modo processualmente constituído.

Começaria indicando um problema próprio do que damos, modernamente, o nome de educação; que também incorpora a filosofia. A saber, a concepção ora teórica, ora prática; ora delibera e consciente, ora inconsciente de que o professor, que sendo um possível detentor de (dado) conhecimento, passa aos alunos, com o acúmulo de “saberes”. Essa concepção tem problemas nefastos, e hoje isso não pode passar desapercebido.

Pensamos, juntamente com o dramaturgo alemão, Bertolt Brecht, quando diz que: “quem não está disposto a estudar não deve ensinar, o professor deve ensinar a estudar.” E, seguindo essa linha, penso que esse I Encontro da APROFFESP, devemos discutir, em profundidade o caminho que pensamos em percorrer para que possamos desenvolver, como expressão largamente utilizada de “projeto político-pedagógico”
a formação enquanto processo de desenvolvimento do pensamento, um ensinar a estudar.

Podemos passar por toda a filosofia, sem necessariamente passar todas elas. Aqui a imagem turva é um espelho para elucidar como as coisas estão ao avesso. Ao passar, como uma historiografia da filosofia, por todos os filósofos, ou muitos deles, como atualmente se faz em larga escala, devemos nos perguntar o que isso contribui no sentido de uma formação filosófica nas escolas da educação básica e também no ensino superior. A resposta se dá mais na prática do que nos argumentos de defesa dos historiadores da filosofia.

E, o que parece-nos acertado, é um encontrar um método, que do grego, significa, caminho para chegar a um fim, de algum ou alguns autores-obras que contribuam para a compreensão filosófica, fazendo o texto dialogar com toda a tradição anterior e posterior a ele, passando por diversos tempos históricos, tomando as influências de dado pensamento, e os influenciados pelo mesmo; criando, assim, um labor em sala de aula menos técnico e mais profundo no sentido da formação (tanto do professor como do estudante).

Assim, o aspirante a filósofo de hoje (que não pode ser mais um Sócrates ou tantos outros que podiam filosofar às custas de uma classe laboriosa na produção de valores de uso de toda uma sociedade, a saber, os escravos que realizam “o grosso da produção”) tendo como sua situação material a condição de assalariado, é levado a que esteja cristalizado nas instituições o seu aprisionamento e também a sua libertação.

Hoje, as Instituições Educacionais como escolas, academias e universidade, e as secretarias e ministério da Educação enquadra, esmagam a atividade educacional, aprisionando um professor, que tem expressão e analogia (sobretudo na escolas públicas estaduais da grande São Paulo do respectivo Estado) do professor como carcereiro, babá, apaziguador e técnico responsável por preencher diários com a finalidade de seguir a progressão continuada, mas rendendo pontos consideráveis para que os governantes utilizem como estatística. Mas, ao mesmo tempo, e nessa mesma medida, somos impelidos a organizarmonos
contra esse atual estado de coisas, e apontar o caminho da libertação do involucro que transforma a filosofia, as ciências, e tantos outros saberes da humanidade, em mercadorias dispostas na prateleira, com
sua funcionabilidade em detrimento do capital.

Assim, nosso horizonte é o horizonte de criar as condições de trilhar o caminho para libertar a filosofia e tantos outros elementos que a humanidade forjou, criou, rompendo o invólucro que asfixia esses saberes ricos em potência, mas ainda não realizadas em ato, de modo substancial em nossa relação tempo-espaço.

Alguns apontamentos propostivos da ABEF para avançarmos

A ABEF propõe que seja constituido um grupo de trabalho que realize debates, discussões que
vise aprofundar esse aspecto da crise da filosofia que ganha enunciado na questão “Ensino e
Filosofia”

Propomos diálogo, liberdade de crítica e unidade entre as entidades ABEF e APROFFESP
...